Nesta segunda-feira (02/05/11) tivemos a honra de receber em nossa
"maloca" três representantes de povos indígenas:
Daniel, do povo Munduruku (PA) ; Roni Wasiri Guará, do povo Maraguá (AM) e Alan Wassú, do povo Wassú Cocal (AL).
Foram dez horas de atividades que divertiram e ampliaram o conhecimento de todo o público presente. Bate - papo, danças, músicas e contação de histórias... atividades que levaram o público a ter um conhecimento muito mais amplo e real sobre a cultura indígena.
Essas dez horas foram divididas entre os períodos da manhã, da tarde e da noite.
O período da manhã foi dirigido aos estudantes de 5ª a 8ª série. Com um público por volta de sessenta pessoas, entre eles alunos, professores e frequentadores da biblioteca foram realizadas várias atividades relacionadas a literatura indígena.
"Evento como este oferece a oportunidade única de ouvir os próprios indĩgenas falarem de si mesmos, sem intermediários. Vivência com este formato só é possível ser realizada por pessoas que experimentaram na pele todo este processo de exclusão que nossos povos vivenciaram". Essa foi a avaliação feita por Alan Wassú, do povo Wassú Cocal de Alagoas.
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| Alunos participaram da dança indígena |
No período da tarde o evento teve como público alvo educadores das escolas municipais e estaduais.de Cananéia-SP.
Esse encontro proporcionou um debate que abordou assuntos muito importantes como literatura indígena, costumes e a forma equivocada como abordamos a temática indígena.
Assim como no período da manhã houve danças, contação de história e músicas indígenas, atividades que proporcionaram a esse encontro momentos agradáveis e que fizeram com que o público participasse de forma bastante ativa.
Depoimentos de alguns participantes confirmam a importância de eventos como este para um entendimendo da verdadeira realidade dos povos indígenas.
"Um encontro como este nos faz refletir muito mais sobre a realidade desses povos, e a forma equivocada como a história nos foi ensinada." Vera Lúcia Grosso de Souza (Professora e bibliotecária do Colégio Yolanda Araújo Silva Paiva)
"Essas atividades nos mostram o quanto é importante conhecer uma cultura por quem realmente faz parte dela. Gostei de saber que esses Povos Indígenas não estão presos ao passado e nem estão deixando suas culturas de lado, mas sim atualizando - as."
Jaqueline Martins de Oliveira (Monitora do Acessa - SP e Telecentro de Cananéia)
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No período noturno o evento foi aberto a toda população, contando com a presença de adultos jovens e crianças. Participaram também alunos do EJA, que curtiram muito o bate-papo e as contações de histórias realizadas por Daniel Munduruku.
O momento mais descontraído da noite foi a dança, onde todos os presentes participaram. Essa dança tem como significado desejar "tudo de bom " para o companheiro, um acolhimento, que é realizada em sua comunidade.
"É muito bom que aconteçam encontros como este para eliminar muitas dúvidas que vínhamos tendo em nosso dia a dia sobre o conceito dos povos indígenas. O bate-papo relizado entre nós foi muito esclarecedor, e é muito importante conhecer a história dos povos indígenas de forma verdadeira, contada por quem realmente conhece o assunto." Avaliação feita pelo voluntário da Biblioteca Municipal de Cananéia-sp
Jamilson de Paula Alves.
Avaliação da "Equipe Biblioteca"
Depois dessas dez horas de atividades concluímos que há muita coisa a ser corrigida no que se diz respeito a forma de encarar a realidade dos povos indígenas. Percebemos que o que nos foi passado através de livros e alguns professores não é a real história, são informações totalmente distorcidas.
Esses povos merecem, mais do que nunca, total respeito e consideração. São povos que
"vivem sobre o fio da navalha", como foi dito por
Daniel Munduruku.
São verdadeiros brasileiros, que cuidam da terra, respeitam os animais e as matas e tiram da natureza somente o que é necessário para viver. Povos de costumes e crenças totalmente diferentes dos nossos, e por isso não são compreendidos e muito menos respeitados.
Luiz Antônio Grosso
Jaqueline Martins de Oliveira
Jamilson de Paula Alves